sexta-feira, 1 de maio de 2026

Exposição AR(te) DE FAMÍLIA de homenagem póstuma a Mário e Heitor Chichorro patente em duas salas do Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz

Inaugurada a 26 de abril, estará patente até 27 de setembro, nas Salas 2 e 3 do CAE, a exposição AR(te) DE FAMÍLIA, de Mário e Heitor Chichorro.Uma exposição póstuma que homenageia o universo singular de Mário Chichorro, em diálogo com a obra do irmão Heitor. Esta exposição conta com curadoria do Arquiteto Etienne Delaunay.
O trabalho de Mário Chichorro (1932–2023) é pela primeira vez exibido num espaço cultural em Portugal, numa homenagem póstuma ao artista português que viveu quase toda a sua carreira em França. Embora nunca tenha exposto no seu país natal em vida, o seu trabalho é agora homenageado no CAE, em diálogo com o do seu irmão mais novo, Heitor Chichorro (falecido em 2024), bem conhecido do público figueirense.

Mário Chichorro estudou arquitetura na Escola de Belas-Artes do Porto e, em 1963, estabeleceu-se em Perpignan. Despedido em 1968 após ser identificado numa manifestação contra o patronato, dedicou-se inteiramente à criação artística. A sua obra, que oscila entre a pintura e a escultura em baixo-relevo, caracteriza-se por cores vivas, ausência de perspetiva, humor irreverente e um imaginário alegórico povoado por personagens, cenas imbricadas e, por vezes, tonalidades eróticas. “Sou a favor da irreverência, da insubordinação, do irrealismo, do devaneio, da utopia, do desejo”, afirmava.

Recusando qualquer categorização, Mário é reconhecido no âmbito da arte “fora das normas” (arte bruta), figurando em coleções de referência como a Collection de l’Art Brut (Lausanne), a Fabuloserie (França) e o Centro de Arte Oliva (Portugal). A sua primeira exposição em Paris, em 1974, no Atelier Jacob, contou com o apoio de Jean Dubuffet, que o integrou na sua “coleção anexa”. A exposição no CAE não segue ordem cronológica – fiel à liberdade que Mário sempre defendeu – e inclui ainda um espaço dedicado a Heitor Chichorro, que abriu caminho para receber as obras do irmão mais velho neste local (Heitor já havia exposto por diversas vezes no CAE).

Juntos, Mário e Heitor partilham um mesmo apego às pessoas, às cores, às formas e à vida. Uma oportunidade rara de descobrir – ou redescobrir – dois universos paralelos, por fim reunidos.