O rio vem lá de longe, aos trambolhões desde a Serra. Faz-se água de nascente nos rótulos das garrafas, engole vidas e lava as almas pelo caminho. Mas espera, corre lento até à foz e só lá (só aqui) se faz magia.
A água que não foge para o mar desagua nas salinas, desfaz-se, desintegra-se, desiste, enfim, de ser água debaixo do sol quente de Verão. Dá-se em metamorfoses naturais. É da “deságua” que nasce o sal, esse cristal bruto, filho de água-mãe destruída e trabalhada com o suor dos galhos e das mãos.
O sal nasce aqui nas salinas, quando a água se desagua para o céu.
E é esta “deságua”, memória de água e presente de sal, que se apresenta nesta reportagem fotográfica por José Pedro Fernandes, e uma lente de máquina que bebe fotografias.
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